D. Fernando II - Um Rei Avesso à Política

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D. Fernando II - Um Rei Avesso à Política

D. Fernando II - Um Rei Avesso à Política

de Maria Antónia Lopes

 

Ed. Temas & Debates, 2016

 

Aquele que viria a ser conhecido como o Rei D. Fernando II de Portugal nasceu em 1816 em Viena de Áustria, no seio de uma das muitas famílias soberanas do antigo Sacro-Império Romano Germânico,  cuja extinção recente tinha sido mais uma bondade da ampla lista de malfeitorias que Napoleão Bonaparte fez pela Europa fora, acabando com uma instituição que, com altos e baixos, tinha durado mil anos.  À data do nascimento de Ferdinand zu Sachsen-Coburg und Gotha, era ainda inimaginável a importância que a família iria ganhar no século XIX, instalando vários dos seus membros nos tronos da Grã-Bretanha, Bélgica, Portugal e Bulgária, e ligando-se ainda matrimonialmente com as famílias reinantes da Áustria-Hungria, Brasil, França e Saxónia. 

O ramo católico da família no qual nasceu D. Fernando - o que lhe permitiu casar com a rainha D. Maria II, rainha Fidelíssima - tinha uma forte costela austro-húngara, atendendo a que a sua mãe, uma Koháry, pertencia a uma das mais ricas e ilustres famílias da Hungria. E foi também essa riqueza, e ainda a sua cultura pessoal, bom gosto e consciência histórica,  que permitiram ao rei D. Fernando II transformar-se numa das principais figuras da protecção e do enriquecimento do património português , quer através do impulso que deu ao restauro de grandes monumentos, à organização de exposições de arte, à compra de obras de arte que se teriam perdido sem o seu mecenato activo e, claro está, à criação de um dos ex-libris de Sintra, o palácio da Pena, entre tantas outras acções meritórias. 

O livro de Maria Antónia Lopes tem o interesse de lembrar a rica personalidade do Rei consorte e Regente, a importância e respeito de que gozava internacionalmente -  que levaram a que,  já na sua viuvez,  fosse convidado a ocupar os tronos da Grécia e de Espanha -  e sobretudo reafirma a importância da sua relação com a rainha, reafirmando aquele que foi um dos mais felizes matrimónios reais da nossa história, e que durou quase duas décadas.  Esta relação, muitas vezes esquecida pelo protagonismo mediático do seu casamento morganático com a Condessa de Edla ou do seu polémico testamento, é central nesta obra, e é ela que explica também o sucesso da educação dos seus filhos, dos quais dois foram reis, e a sua influência na evolução do Portugal oitocentista. Monserrate, que o Rei conheceu e visitou, não deixa de ser tributário de D. Fernando II como impulsionador maior do Romantismo em Portugal, e por isso fica aqui a vénia à sua figura e obra.