Livro Guerra e Paz

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Livro Guerra e Paz

Guerra e Paz em directo

Sendo uma das obras maiores da literatura universal, é muito provável que todos os Amigos de Monserrate tenham lido, num qualquer momento das suas vidas, a monumental Guerra e Paz de Lev Tolstoi, pelo que não restam grandes recomendações a fazer sobre a qualidade da escrita do conde russo, que nos legou outras obras tão significativas como Anna Karenina (que funciona, de certa maneira, como o contraponto de Guerra e Paz, se atendermos a que uma é um grande fresco histórico e dramático com uma multidão de pessoas ‘dentro’ e três personagens principais, e a outra roda à volta de uma única personagem central, sem que o contexto histórico-político, ou até social, tenha preponderância especial nela).

A razão para reler Guerra e Paz reside por isso noutro ponto, que não se afigura menor: o facto de termos, pela primeira vez, traduções directas do russo desta obra de Tolstoi, e isso fazer toda a diferença quanto à riqueza de um romance que foi pioneiro no cruzamento das múltiplas dimensões da alma humana com o devir histórico, influenciando duradouramente toda a evolução do romance ocidental.

Se é verdade que todo o tradutor é um traidor - “tradutore traditore” - traduzir uma obra a partir de uma língua que não a original garante uma traição maior e eventualmente imperdoável ou insuportável, pelo que o luxo de, num espaço de apenas dez anos, termos tido o direito a não uma mas duas traduções directas de Guerra e Paz representou um enriquecimento efectivo da literatura publicada em língua portuguesa. Numa entrevista ao Diário de Notícias sobre a sua tradução, a primeira que apareceu, Filipe Guerra afirmava que quando se lê uma obra que não provém da língua original se perde "a diferença de estilo, de espírito, de entoação, de naturalidade”. Numa obra na qual o número de personagens principais e secundárias, a variedade de sentimentos e interesses, e o colorido de descrições são imensos, estão são diferenças fundamentais que nos obrigam a reler (este) Tolstoi. E aproveitando o Verão que aí vem e a maior disponibilidade de tempo a que as centenas de páginas da obra obrigam, a proposta não é só de leitura mas a que deixe entrar na sua vida, como nunca os viu, e em bom português, Andrei Bolkonsky, Piotr Bezukhov ou Natacha Rostova.

Guerra e Paz, Lev Nikolaievitch Tolstoi

Tradução de Nina e Filipe Guerra, Editorial Presença

Tradução de António Pescada, Ed. Relógio de Água