Livro - As Velas Ardem Até ao Fim

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Livro - As Velas Ardem Até ao Fim

As Velas Ardem Até ao Fim

de Sándor Márai

Ed. Dom Quixote

 

Sándor Márai é um dos nomes maiores da literatura húngara de todos os tempos, e o seu livro As Velas Ardem Até ao Fim, publicado em 1942, em plena II Guerra Mundial, é considerado uma das grandes obras da literatura húngara do século XX, sendo um dos mais expressivos livros alguma vez publicados sobre a amizade, a sua resistência ao tempo, à distância e até ao ciúme, no caso vertente. De resto, e muito justamente, esta é uma leitura recomendada  pelo nosso Plano Nacional de Leitura.

 

A obra transporta-nos até um pavilhão de caça na Hungria do entre Guerras, outrora animado por festas elegantes e pela música dos ambientes aristocráticos do Império Austro-Húngaro, e no qual se percebe que os tempos mudaram. O esplendor desapareceu, e na calma adivinha-se o fim de uma época. Dois homens de idade, de origens diferentes mas amigos inseparáveis na sua juventude passada nos colégios militares imperiais e reais, encontram-se depois de quarenta anos sem se verem. Um, solteiro, passou grande parte da vida no Extremo Oriente, o outro casou-se e permaneceu nas suas propriedades. Ambos esperaram toda a vida pelo reencontro e pela oportunidade de esclarecer um segredo tão importante quanto a amizade que os uniu, segredo que só se adivinhará no fim do jantar, quando as velas chegarem ao fim…

 

Nascido em 1900 em Kassa, actualmente Kosice na Eslováquia, Márai é um puro produto da Europa Central dos Habsburgos, tendo-se afirmado muito cedo como um dos melhores escritores da Hungria pós I Primeira Grande Guerra. Humanista e Liberal, Sándor Márai viu o seu mundo desmoronar-se no fim da Segunda Guerra Mundial, tendo perdido a casa e biblioteca nos bombardeamentos de Budapeste, e sendo proibido de publicar como escritor “burguês” pelo regime comunista imposto pela ocupação russa. Exilado a partir de 1948 nos Estados Unidos, esquecido na Hungria natal, suicidar-se-ia em 1989 após a morte da mulher, a poucos meses da libertação do seu país do domínio soviético. O reconhecimento póstumo foi imediato, tendo-lhe sido conferido o maior galardão literário da Hungria, o prémio Kossuth, em 1990, e republicada toda a sua vasta obra, que seria na década seguinte descoberta e traduzida em toda a Europa, consagrando-o como um nome grande da literatura europeia do séc. XX.

 

André Dourado